Neuraxia

MANIFESTO NEURAXIA

A IA não veio para substituir pessoas. Veio para potencializar as características de cada um.

Ao longo da história, a humanidade passou por várias revoluções que geraram debates semelhantes aos que estamos vivendo hoje. Considerando as especificidades de cada época e adaptando para a realidade atual, podemos elaborar algumas questões centrais como:

  • A IA é uma bolha ou é, de fato, algo que veio para mudar o mundo?
  • Qual o verdadeiro impacto da IA na sociedade?
  • Qual o impacto que terá na minha rotina?

01 / A MUDANÇA

Quando o novo incomoda.

Mudar exige esforço. Precisamos aprender coisas novas e lidar com o desconforto da curva de aprendizado. O poder do hábito nos faz resistentes - mesmo quando levamos em consideração que determinada mudança possa ser positiva.

Estudos sobre decisões humanas ajudam a compreender esse comportamento. Diante de escolhas relevantes, podemos preferir o status quo. O esforço requerido por uma mudança pode antecipar essa resistência. Nosso cérebro, em geral, tem uma tendência a escolher atividades que exijam menos esforço mental.

Isso explica por que uma mudança - mesmo quando avaliamos como possivelmente benéfica - pode ser adiada ou, até mesmo, preterida. Nem sempre estamos dispostos a pagar o preço de sair da zona de conforto.

01 / A MUDANÇA

A convicção da BlackBerry.

Em 2007, Mike Lazaridis, fundador e então co-CEO da BlackBerry (na época chamada Research In Motion), fez um comentário sobre uma das características que marcavam a chegada do iPhone:

“Não acho que um telefone celular com teclado virtual vá pegar.”

Não foi preciso esperar 20 anos para o Mr. Lazaridis descobrir que cometeu um dos erros mais caros da história. Os números dos anos seguintes ajudam a acompanhar como esse mercado se transformou:

Unidades anuais reportadas, em milhões.
Ano fiscal BlackBerry iPhone
2006 4,0 —
2007 6,4 1,39
2008 13,8 11,6
2009 26,0 20,7
2010 36,7 40,0
2011 52,3 72,3
2012 49,0 125,0
2013 28,1 150,3

As séries usam períodos fiscais e critérios de contagem diferentes. Veja as notas de comparação.

01 / A MUDANÇA

Quando o paradigma muda.

Em outubro de 2008, a Research In Motion anunciou o BlackBerry Storm, seu primeiro aparelho com tela sensível ao toque e teclado virtual. Menos de um ano depois da fatídica declaração de Lazaridis, a empresa apresentava sua própria alternativa sem teclado físico.

O mercado estava passando por uma mudança de paradigma. Uma característica que parecia indispensável estava deixando de ser uma condição para a escolha de um smartphone. A própria maneira de interagir com o aparelho estava mudando.

Em 2016, a BlackBerry anunciou que encerraria o desenvolvimento interno de seus aparelhos. Em 2022, encerrou os serviços de seus sistemas operacionais legados.

01 / A MUDANÇA

O novo se torna familiar.

A Research In Motion já era uma gigante nesse mercado. A Apple, embora conhecida pelos computadores e pelo iPod, ainda estava entrando no segmento de telefones celulares. Ao comentar sobre a empresa, Mike Lazaridis chegou a desdenhar:

“Qual é a presença da Apple no mundo corporativo? É insignificante.”

Mas a transformação do mercado não aconteceu de uma hora para outra. Na comparação dos anos fiscais apresentados na tabela, foi somente em 2010 que o número de iPhones ultrapassou o de aparelhos BlackBerry.

Para quem estava acostumado ao teclado físico, digitar diretamente em uma tela exigia adaptação. Era preciso aprender outra maneira de fazer algo que já fazia parte da rotina.

Com o tempo, o desconforto diminuiu e o teclado virtual se tornou familiar. Hoje, voltar a depender de um teclado físico no smartphone é impensável. A mudança que antes exigia esforço passou a ser o padrão esperado de um aparelho.

02 / AS POSSIBILIDADES

O papel da IA.

A IA é uma ferramenta. Para compreender o seu papel, vale observar como outras ferramentas transformaram a maneira de trabalhar ao longo de toda a história da humanidade.

Máquinas de costura foram inventadas, mas não acabaram com os alfaiates. A criação das máquinas de imprensa não acabou com os escritores. As calculadoras não acabaram com os matemáticos. Cada uma dessas ferramentas ampliou a produtividade de quem as aderiu e mudou a forma de como o trabalho era realizado.

Alfaiates passaram a produzir com mais agilidade. Textos que precisavam ser copiados à mão puderam ser reproduzidos em milhares de exemplares. Cálculos passaram a exigir menos tempo, permitindo dedicar mais atenção aos problemas que precisavam ser resolvidos.

É exatamente assim com a IA: uma ferramenta capaz de ampliar as possibilidades de médicos, engenheiros, advogados, arquitetos e de, absolutamente, qualquer outro profissional. O valor está em como ela pode contribuir para desenvolver capacidades, melhorar a qualidade do trabalho e permitir que cada pessoa avance muito mais rápido do que faria sem IA.

02 / AS POSSIBILIDADES

Mais possibilidades para desenvolver o seu potencial.

A IA ajuda a organizar informações, acelera a leitura, permite escrever mais rápido e permite juntar um número enorme de informações diversas de forma muito rápida. O tempo economizado pode ser direcionado para compreender melhor um assunto, aprofundar uma análise ou dedicar mais atenção ao que exige a sua participação.

Mas o que fazer com o retorno da IA é o grande diferencial. Interpretar, conferir e decidir o que fazer com uma informação continuam exigindo conhecimento e pensamento crítico. A agilidade só faz sentido quando nos permite elevar ou, no mínimo, manter a qualidade do que estamos fazendo. Ganho de produtividade só acontece quando o aumento da velocidade não se traduz em queda de qualidade.

02 / AS POSSIBILIDADES

Apoio que se traduz em ganhos concretos.

Para a Neuraxia, a IA é uma ferramenta de apoio. E esse apoio deve se traduzir em ganhos concretos:

  • Estudos personalizados, focados nos gaps de conhecimento e na necessidade individual de consolidação do aprendizado.
  • Mais agilidade na busca por informações claras e precisas, com espaço para compreendê-las, destrinchá-las e utilizá-las.
  • Informações organizadas de maneira que diminuam o ruído, facilitem a leitura e permitam uma compreensão mais global do contexto.

Desenvolvemos ferramentas que contribuam para esse processo. Ferramentas que apoiem o seu trabalho e o seu aprendizado, preservando a autonomia e reforçando a importância de pensar, avaliar, esmiuçar e decidir.

03 / AS ESCOLHAS

A mesma ferramenta, diferentes resultados.

Em um estudo com profissionais de atendimento ao cliente, uma ferramenta de IA sugeria respostas durante as conversas com os consumidores. Os trabalhadores menos experientes foram os que mais ganharam em produtividade: com esse apoio, conseguiram resolver mais problemas por hora e se aproximar do desempenho dos colegas mais experientes.

O estudo também observou que profissionais que já vinham utilizando a ferramenta mantinham atendimentos mais rápidos quando o sistema ficava temporariamente indisponível. Isso sugere que parte do que aprenderam com as sugestões da IA passou a fazer parte da sua maneira de trabalhar.

Esse resultado mostra uma possibilidade importante: a ferramenta pode contribuir tanto para a execução de uma atividade quanto para o desenvolvimento de quem a utiliza.

Mas ter acesso à mesma tecnologia não significa desenvolver as mesmas capacidades. Os resultados também dependem de como cada pessoa utiliza esse apoio e de como a ferramenta foi concebida para ajudá-la.

03 / AS ESCOLHAS

Fazer sem avaliar não se traduz em aprendizado.

Em um estudo com estudantes de matemática, os pesquisadores compararam alunos que praticavam sem IA, alunos que podiam pedir respostas diretamente à ferramenta e alunos que usavam uma versão preparada para oferecer pistas e orientar a resolução dos exercícios.

Durante a prática, os dois grupos com IA tiveram notas melhores. Mas, quando todos precisaram fazer uma prova sem a ferramenta, o grupo que podia pedir respostas diretamente teve desempenho pior que o grupo que havia estudado sem IA. Na versão que orientava o raciocínio, esse prejuízo foi praticamente eliminado.

03 / AS ESCOLHAS

Usar a IA para pensar mais.

A análise das conversas indicou que muitos alunos usavam o acesso irrestrito para pedir e copiar soluções. Já a versão orientada ao aprendizado incentivava perguntas e tentativas de resolver os problemas. Esses resultados sugerem que delegar a resolução pode evitar justamente o esforço necessário para aprender.

É por isso que precisamos usar a IA para pensar mais, e não para pensar menos. Pedir explicações, questionar uma resposta, comparar caminhos e tentar resolver antes de conferir o resultado são maneiras de participar do processo.

03 / AS ESCOLHAS

Aprender continua exigindo participação.

Isso mostra por que precisamos distinguir o resultado de uma atividade do aprendizado que aconteceu durante a sua realização. Conseguir chegar à resposta com ajuda não significa, necessariamente, ter desenvolvido a capacidade de resolver o problema sozinho.

A mesma tecnologia que pode ajudar a aprofundar o conhecimento também pode facilitar que o esforço de compreender seja evitado. Por isso, tanto as escolhas de quem utiliza a IA quanto as decisões de quem desenvolve essas ferramentas são fundamentais.

Aprender continua exigindo curiosidade, questionamentos, prática e disposição para reconhecer o que ainda não sabemos. O tempo poupado pela tecnologia pode criar mais espaço para esse processo, mas o envolvimento de quem está aprendendo continua sendo necessário.

04 / O NOSSO COMPROMISSO

A visão que orienta a Neuraxia.

Nossa missão é desenvolver produtos que ampliem as possibilidades de médicos e estudantes de medicina, com experiências que façam sentido para as necessidades de cada um. Queremos que você sinta que está usando algo feito sob medida, capaz de acompanhar o seu desenvolvimento e contribuir para o que você busca alcançar.

Para quem estuda medicina, isso significa apoiar a busca por conhecimento, ajudar a reconhecer dificuldades e oferecer caminhos para estudar e praticar com mais afinco. Para quem exerce a medicina, significa organizar contexto, facilitar o acesso às informações e encontrar mais espaço para aquilo que exige atenção e raciocínio clínico.

Entregar qualidade requer participação humana especializada, avaliação constante e revisão contínua. A responsabilidade está presente tanto na maneira como as ferramentas são desenvolvidas quanto nas escolhas de quem as utiliza.

É a partir dessa visão que estamos construindo a Neuraxia. Queremos que a tecnologia contribua para uma rotina mais produtiva, um aprendizado mais profundo e a preservação da busca pela excelência. Principalmente, queremos impulsionar o que você tem de melhor.

PARA CONTINUAR

Referências

Fontes e notas de comparação

As referências abaixo apresentam os estudos, relatórios e registros utilizados neste manifesto.

Na tabela, cada empresa segue o seu próprio ano fiscal: os períodos da BlackBerry terminam em fevereiro ou março, enquanto os da Apple terminam em setembro. Também há diferenças nos critérios de contagem. A BlackBerry reporta aparelhos vendidos entre 2006 e 2011 e embarcados entre 2012 e 2013; a Apple reporta iPhones vendidos.

Os valores foram arredondados. A comparação permite acompanhar a evolução das duas empresas, considerando que os períodos e os critérios não são exatamente equivalentes.

  1. Fleming, Thomas e Dolan (2010). Overcoming status quo bias in the human brain. PNAS.
  2. Nicolle e colaboradores (2011). A regret-induced status quo bias. Journal of Neuroscience.
  3. Kool e colaboradores (2010). Decision making and the avoidance of cognitive demand. Journal of Experimental Psychology: General.
  4. Computable (2 de novembro de 2007). BlackBerry-baas: iPhone niet zakelijk genoeg. Declaração de Mike Lazaridis sobre o teclado virtual.
  5. Research In Motion / BlackBerry. Relatórios anuais de 2008, 2011 e 2013. Dados da série BlackBerry.
  6. Apple. Relatórios anuais de 2008, 2010 e 2013. Dados da série iPhone.
  7. Research In Motion, Verizon Wireless e Vodafone (8 de outubro de 2008). BlackBerry Takes The World By Storm With Verizon Wireless And Vodafone. Anúncio do BlackBerry Storm.
  8. The Guardian (2 de março de 2007). Reportagem sobre a Research In Motion e a chegada do iPhone. Declaração de Mike Lazaridis sobre a presença corporativa da Apple.
  9. BlackBerry (28 de setembro de 2016). Comunicado de resultados do segundo trimestre fiscal de 2017. Encerramento do desenvolvimento interno de hardware.
  10. BlackBerry. BlackBerry 10 and BlackBerry OS Services FAQ. Encerramento dos serviços legados em 2022.
  11. Brynjolfsson, Li e Raymond (2025). Generative AI at Work. Quarterly Journal of Economics.
  12. Bastani e colaboradores (2025). Generative AI without guardrails can harm learning: Evidence from high school mathematics. PNAS.